Agências Criativas e o Lápis Azul.
As agências de marketing e publicidade do século XXI são das poucas que ainda fazem uso (in)justificado do outrora tão polémico lápis azul. Aos seus criativos e copywriters são negadas as aspirações disruptivas para com o politicamente correcto… É que por cá queremos todos fugir às nossas obrigações para com os valores das marcas com que trabalhamos e ser Ricardo Robles por um dia. (Só por esta boquinha de foro político agora estou por um fio.)
Agências Criativas e o Lápis Azul.
Somos um sindicato passivo-reivindicativo presidido pelo elefante na sala. Somos vítimas de um conflito interior entre o conforto de receber o ganha-pão ao fim do mês – e a vontade de inaugurar uma distopia criativa que falirá a empresa antes que nos consigam defenestrar. (Defenestrar, para os leigos do copywriting, quer dizer matar através do arremesso de alguém pela janela – neste caso pela do 2º andar do edifício 72 da Duque de Loulé.)
Se soubessem as ideias que por aqui surgem ou éramos despedidos ou promovidos.
É que na BYD, a meu ver, fazemos demasiada cerimónia com os clientes. Somos uma empresa focada nos resultados (e nos bons, maioritariamente) e acabamos por fazer todas as vontades a aqueles que nos contratam.
O problema é que não fazemos as nossas.
Já ouviram falar no síndrome do Estocolmo? O que aqui se passa é parecido: nós, que não somos donos das marcas mas que tanto tempo passamos com elas, começamos a desenvolver sentimentos especiais que depois queremos materializar em manobras de marketing de alto risco. Pensem assim: são declarações de amor imprudentes!
A vossa sorte, queridos clientes, é que a política desta empresa (já) não permite relações amorosas no trabalho – desde que o Salvador curtiu com a empregada da limpeza.
É por isso que somos agora mais comedidos: gostamos das nossas marcas, mimamo-las com horas de trabalho, mas não as usurpamos e fazemos delas as marcas da nossa vida à imagem de cada maluco que por cá trabalha.
Para quem dizia que nunca íamos conseguir mudar, parecemos bastante bem-comportados. Lápis Azul who?
